Archive | February, 2011

1º Momento da Celebração na ASSOBECATY 77 Anos Resistência e 23 de Identidade Juridica

26 Feb

Comemoração da Herança Africana

Associação Beneficente Cultural Africana Templo de Iemanjá , também conhecida como ASSOBECATY, realizou uma comemoração muito especial: 77 anos de existência e 23 anos de identidade juridica. Tal fato não acontece todo dia, para os especialista no assunto como Reginaldo Prandi, no processo de sucessão religiosa, quando um terreiro é governado por um grande  Babalorixá ou Yalorixa é quase impossível a sua sustentação visto a situação que se desenvolve para  assegurar a existência da casa. Quem passa por este processo é identificado pelo seu perfil de resistência.  Esse é um dos grandes desafios  que  Mãe Carmen de Oxalá, vem enfrentando no decorrer de 10 anos, administrar a  casa de religião  que era de sua mãe biológica.  100_0635100_0630

No percurso  de vida de  uma mulher negra que tem uma cultura de origem  diferenciada devido a uma estreita ligação com a religião ancestral, Mãe Carmen, além de seu papel de líder espiritual é acadêmica em psicologia,  situação pouco comum porém, para quem acredita em orixá, foi o orixá Oxalá, que lhe impôs esta condição de vida. Para ela, tanto os conhecimentos  da ciência quanto a religião é de repasse obrigatório às novas gerações, conhecimentos alcançados através do tempo, dos eventos, dos espaços freqüentados, atendo as raízes de seu povo de forma a preservar a memória e as tradições culturais de seus antepassados ao mesmo tempo em que traz à luz a criticidade científica. Este fato também desperta  diferentes reações nas pessoas.  Os sentimentos que se tornam mais evidentes são os que se originam no grande carisma de sua personalidade e pela sua força espiritual na  acolhida  de seu babalorixá Cleon de Oxalá, seus irmãos de santo, no respeito de sua filha biológica, Greice Ellen, seus filhos de santo, amigos, voluntários e das parcerias com a comunidade local, estadual, nacional  e  comunidade acadêmica.

Representantes destes segmentos com os quais a religiosa mantém vinculos é que se reuniram para os festejos  de aniversário da Assobecaty.

A Celebração: ritos religiosos e afirmação de compromissos políticos e sociais

A circularidade, oralidade e a hierarquia dos Orixás foram respeitados desde o inicio da celebração de Aniversário da Assobecaty

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Como não poderia ser diferente, o inicio do ato político que antecedeu o religioso,  foi propositadamente  pensado segundo três princípios civilizatório africanos, que são  marcantes nos rituais religiosos  e nas  culturas africanas: a disposição das cadeiras  em  circularidade, a promoção da oralidade como a  fonte  difusora da cultura e da história e a abertura, de responsabilidade do Orixá Bará, que transporta o Axé entre o mundo humano e o sagrado, neste caso representado por seu filho Toninho do Bará (com Ylê Axé Bará Lanã aberto no município de Pelotas) com o poema O que é Cidadania. As visitas  foram convidadas a contemplar o aniversário da Assobecaty  se utilizando desta tradição oral da cultura africana.  

Veja  a Celebração da Assobecaty   no Yotube.

 

Com sede no Rio Grande do Sul , ASSOBECATY  surgiu em 1934, fundada na cidade de Pelotas por Mãe Quina de Yemanjá e transferida, na década de 70  para a cidade de Guaíba.  Neste município em 1988 com a  somatória de inúmeras iniciativas de projetos sociais nasce a necessidade de identidade juridica afim de manter a raiz ancestral, além de  promover, divulgar e difundir a religião de tradição de matriz africana  e a cultura afro-brasileira em todas as suas formas e manifestações. Desde então o trabalho não parou de crescer.  São desenvolvidas intervenções sócio-culturais e educacionais, junto à comunidade, como palestras, sessões de cinema,  a exposição Ilê Ifé, espetáculos, seminários, carreata de Mãe Oxum, procissões e uma estrutura  de comunicação digital e popular nos 37 blogs mantido pela entidade. Os projetos da associação se caracterizam por dar prioridade a construção coletiva, e neste mesmo clima é que o ato de abertura  exigiu uma responsabilidade para com esta postura, em plena busca de unidade  foi garantido que  todos os visitantes tivessem a oportunidade de se manifestar.

Após as falas das autoridades civis, politicas e religiosas a casa ofereceu  um jantar que foi servido no salão da Umbanda. Mãe Carmen de Oxala  continuou no salão principal  recebendo os comprimentos dos convidados. Acompanhe.DSC02070   Mâe Carmen de Oxalá e Dr. Maurício Reis representando a       Fundação Palmares

Este é o momento que se mistura alegria, fé e religiosidade no espaço que é uma pequena Àfrica. É tempo de celebrar, não somente o aniversário da Assobecaty, mas também devemos celebrar o reconhecimento político da Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura , órgão que tem o compromisso pela superação  da desigualdade e pela preservação e difusão da raiz africana. Dr Maurício Reis que já havia acompanhado o lançamento da revista Conexão Comunitária há um ano atrás, pode acompanhar o lançamento da Revista Conexão Afro On line

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ASSOBECATY é um espaço que simboliza a resistência do feminino negro dentro do território de Axé, é aqui que lembramos as três princesas míticas que fundaram a religião de Matriz Africana no Brasil: Yá Detá, Yá Kalá, Yá Nassô que na história de existência da Assobecaty sempre forão regidas por “matrilinearidades”, isto é onde as crianças são identificadas em função de suas  Mães, que fazem acontecer cotidianamente , por estas questões que  é tempo de comemorar.   

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Alabê Antônio Carlos de Xangô, Mãe Carmen de Oxalá e Mauricio Reis da Fundação Palmares

A existência da Assobecaty, tem muito a ver com instituições que foram criadas para  lutar e mudar a realidade excludente e discriminatória do povo negro, a partir da promulgação da Constituição Cidadã e nasceu no cenário da redemocratização do país e do centenário da abolição da escravatura em 1988 tal como o CODENE- Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra do estado do Rio Grande do Sul.

Assim, o Templo de Yemanjá  dava o primeiro passo para as politicas afirmativas e hoje está dentro da proposta da ONU que declara 2011 como Ano afrodescendente;

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Marcelo Azevedo – Diretor de Cidadania Cultural e João Pontes – Coordenador dos Pontos de Cultura ambos da Secretaria do Estado da Cultura RS,  EgbomiConceição Reis de Ogum, patronesse da Revista Conexão Afro  Online e Mãe Carmen de Oxala                   

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A psicológa Sandrali Bueno em nome do Gabinete da Primeira Dama do Estado

O gabinete da 1ª Dama Sra. Sandra Krebs Genro, foi representado pela Psicológa Sandrali Bueno. Sua presença  reafirma que estamos em outro momento politico no estado do Rio Grande do Sul por dois motivos: por ser uma mulher afrodescendente neste espaço e pela primeira vez que o gabinete demonstra interesse em estar em todos os espaços, inclusive em casa de religião afro. Devemos ter um olhar focado nas questões que envolvem a condição feminina.

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Representando o  Secretário Fabiano Pereira da Sec. de Direitos Humanos a Sra Sandra Maciel e representando a Secretaria Marcia Santana sa Secretaria de Politicas para Mulheres, Sra Rosangela Goulart.

A questão de Igualdade Racial  e de gênero tem tudo a ver com o espaço das comunidades tradicionais de Terreiros,  e  a participação dessas secretarias dá fortes indicios de tempos de mudanças, , sabemos que ainda temos muita luta para alcançarmos as mudança, mesmo assim, a comunidade da Assobecaty, está muito confiante.  Desperta em nós, um sentimento  que o governo estadual  esta interessado  na questão racial e de genero somando as necessidades de terreiro. Temos que continuar lutando mas já temos quem nos ouve.

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A coordenadora da Coordenadoria Municipal de Políticas para Igualdade Racial , do municipio de Canoas – Copir, Maria Aparecida Mendes, participou da comemoração dos 23 anos de personalidade jurídica da Assobecaty

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Mãe Carmen de Oxalá recebe o abraço da representante dos empresárado local, Milena Frazon , proprietária do Supermercado Atual.                                                                                                                                         

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Babalorixá Toninho de Bará , filho de santo de Mãe Carmen de Oxalá , dirigente do Ilê Axé Bará Lanã na cidade de Pelotas , com dignidade  representa no municipio  de origem, a bandeira da ASSOBECATY.

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Pai Roni de Ogum o religioso mais antigos da cidade de Guaíba, representa o movimento da Comissão Permanente da Semana Municipal da Umbanda e das Religiões de Matriz Africana, Pai Ricardo de Oxum representando a Comissão Impulsora da Semana Municipal da Umbanda e das Religiões de Matriz Africana , ambos companheiros de luta pelo resgate da Gruta de Mãe Oxum e da Pedra de Xangô da Praia da Alegria.

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Mãe Nilsa  e esposo Afonso,  componentes da comissão Impulsora da Semana Municipal da Umbanda e das Religiões de Matriz Africanas, presenças que potencializam as lutas do movimento religioso no municipio de Guaiba.

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Na foto da esquerda  Cleomar de Xango, professor de educação fisica e filho de Mãe Carmen de Oxala,  trouxe sua familia biologica para apreciar a festa e celebrar a data festiva.

  O  cerimonial  foi elaborado com muita responsabilidade, carinho e emoção por Denise Flores, como estava  recolhida em obrigação religiosa, a entidade solicitou apoio da  Historiadora Mirian Leão, representante da organização AAMA (Associação Amigos do Meio Ambiente),  que no dia da festa assegurou o conjunto de normas legais do protocolo, dando maior "pompa" a solenidade. 
  Este evento entra para a história  por singularizar o alicerce da visibilidade para a questão, não percebida ou não comentada: um fenômeno contemporâneo que aponta para a extinção da mulher negra no comando de casas de religião no Brasil, sendo mais raro ainda nas casas consideradas de tradição. A ancestralidade feminina, aqui exaltada, é também uma homenagem a fundadora Ialorixá Quina de Iemanjá que deixou este legado, que contribui para  o bem comum e a transformação sócio religiosa e étnica.

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Associação Beneficente Cultural Africana Templo de Iemanja

Rua Wenceslau Fontoura n. 226 – Jardim Santa Rita- Guaiba, RS- Brasil, Fone (51) 30556655, email ;assobecaty@hotmail.com

caracoles Falar com Mãe Carmen de Oxalá  Fone: (51) 97010303 e  84945770

maecarmendeoxala@hotmail.com

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Revista Conexão Afro:

conexaoafro@gmail.com

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Coordenadora da Igualdade Racial de Canoas se fez presente na Festa da Assobecaty

18 Feb
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A coordenadora da Coordenadoria Municipal de Políticas para Igualdade Racial – Copir, Maria Aparecida Mendes, participou das festividades de comemoração dos 23 anos de documentação juridica e 77  de resistência. Veja mais no site da prefeitura de Canoas.

www.canoas.rs.gov.br/Site/Noticias/Noticia.asp?tId=12177

Pronunciamento do Senador Paulo Paim ao Aniversário da ASSOBECATY

16 Feb

                   

                          

 
Brasília, 16 de fevereiro de 2011
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A Mãe Carmen de Oxalá
 
Yalorixá Líder Espiritual da Assobecaty
 
Quero parabenizar a Associação Beneficente Cultural Africana Templo de Yemanjá – Assobecaty, Casa de Tradição Africana com 77 anos de existência, pelos seus 23 anos de instituição da personalidade jurídica que possibilitou o aperfeiçoamento do trabalho social e comunitário que vocês desenvolvem. 
Não posso estar ai, em virtude dos debates pelo reajuste do salário mínimo no Congresso Nacional, mas quero dizer a importância desta instituição para a aprovação  do Estatuto da Igualdade Racial, em especial no debate pela liberdade de consciência e crença. 
Também quero agradecer o apoio de vocês na minha reeleição, nós recebemos mais de quatro milhões de votos e o trabalho de vocês foi fundamental.  Contem comigo hoje e sempre, seja no Rio Grande do Sul ou em Brasília.
 
Um forte abraço

Senador Paulo Paim -PT-RS

 

 

77 anos de tradição e 23 anos de personalidade juridica, é tempo mais que suficiente para comemorar

9 Feb
o comemorar os 23 anos de personalidade jurídica, a Assobecaty, tradicional comunidade de terreiro, destaca a importância
de ser uma organização constituída.
 

A Constituição Cidadã

Nos braços de ampla participação popular, a Constituição Brasileira nasce de um desejo da prevalência dos Direitos Humanos, preconizando uma sociedade livre, justa e sem quaisquer ações discriminatórias. Deste período também vem o entendimento da Yalorixa Quina de Yemanjá de conquistar autonomia civil e jurítica fazendo reconhecer o Templo Religioso Africano junto à sociedade brasileira. Com 76 anos de fundação o Ylê de Yá Quina foi deixado como herança para sua filha carnal Mãe Carmen de Oxalá, que além de ficar no comando das obrigações religiosas, assumiu a liderança quanto à participação na vida política em diferentes esferas do estado, condição irrevogável frente aos desafios cotidianos para a superação das desigualdades sociais.

As bandeiras de Luta

A Associação Beneficente Cultural Africana Templo de Yemanjá, assim constituída, vem construindo o seu reconhecimento pelo perfil de trabalho destacado pelas causas que assume: saúde no Ylê – DST\Aids, segurança alimentar e prevenção às drogas, meio ambiente, comunicação popular e inclusão digital, gênero, cultura, segurança urbana, entre outras ações que são construídas de modo interdisciplinar pelos diferentes grupos que freqüentam a casa como filhos e filhas, simpatizantes, voluntários ou simplesmente admiradores desta força de luta.

Dia 16 deste mês, por ocasião da comemoração dos 23 anos de personalidade jurídica da casa, será realizado um Xirê, festividade religiosa acompanhada de solenidade civil. Na data, o Templo religioso receberá convidados do interior, de outros estados do país e já recebeu a confirmação da presença de representações de diferentes Secretarias do Governo do Estado e da Assembléia Legislativa, do Gabinete do Senador Paulo Paím, da Fundação Palmares, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial – Sepir, entre outros parlamentares.

Nesta data, a Assobecaty também deflagra, como primeira ação afirmativa do ano, a adesão aos debates promovidos pela ONU que institui 2011 como o Ano dos Afrodescendentes. Acompanhando a efervescência das atividades a Egbomi Conceição Reis de Ogum, especialista paulistana em comunicação em casas de religião, desembarca em Porto Alegre para o lançamento da Revista Conexão Afro, mídia on line desenvolvida de modo colaborativo, de iniciativa da Assobecaty para privilegiar as discussões sobre arte, cultura e religiosidade afro.

Evento: Xirê comemorativo e solenidade civil em comemoração aos 23 de personalidade jurídica da Assobecaty

Quando: 16 de fevereiro de 2011-02-11

Onde: Wenceslau Fontoura 226, Bairro St Rita\Guaiba-RS

Contatos: Yalorixa Carmen de Oxalá: (51) 30556655, (51) 84945770

assobecaty@hotmail.com e maecarmendeoxala@hotmail.com

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ASSOBECATY ACOMPANHA A FESTA DE IEMANJÁ EM TRAMANDAI É ORGANIZADA POR PAI CLEON DE OXALÁ

1 Feb

Na noite do dia 1 de fevereiro, no país,  ocorreram inúmeras festas que reverênciavam o orixá feminino Iemanjá. Não foi diferente, d100_0516o litooral gaúcho.  Assobecaty-Associação Beneficente Cultural Africana Templo de Yemanjá,  achamos pertinente informar  os que ainda não sabem ,   que a entidade é fundamentada nos pilares do Axé de Iemanjá. A partir da década de 2000, que passou a  ser  regida por Oxalá (moço) assim denominado no  batuque do sul  ou  “Oxaguiã”.  como é conhecido no candomblé. A partir desta data, também ,  não  realizamos  festas presentes no mar para Iemanjá. Viemos acompanhando as festas que Pai Cleon de Oxalá, organiza,  homenagens a Iemanjá há 35 anos, em Tramandaí (RS). Este foi o motivo que levou Mãe Carmen de Oxalá,  até a cidade de Tramandai. É  digno de registrar,  uma passagem do percuso de sua vida religiosa que Mãe Carmen de Oxala,   foi iniciada  por Pai Cleon  de Oxalá, desde menina. Saiu, teve oportunidade de ser filha de  Pai Romario de Oxala, quando esse, partiu para o orum,  ela retornou para o seu primeiro zelador, com ele está  cumprindo obrigações até os dias atuais

 

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Enquanto a população aguardava a imagem em procissão ou  carreata,  a imagem surpeendeu,  surgir do mar, ela veio trazida por um navio, que apagou a escuridão, com muitas luzes.

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Milhares de fiés  acenavam  as bandeiras brancas. Oferendas e agradecimento à Iemanjá – Rainha das Águas, são motivos que trazem milhares de adeptos das religiões afro brasileiras à Tramandaí.

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Momento de agradecimento, devoção e fé dedicado  à Iemanjá – Rainha das Águas.

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A rainha das águas salgadas, foi  conduzida até a margem,  pelo  batalhão do corpo de bombeiros, onde estava  sendo esperada pelo Babalorixá Cleon de Oxalá e sua roda de filhos .